
Resiliência: Competêndia de campeões
Pode ser embaixo de chuva ou sob um sol escaldante – eles estão preparados para as mais diversas situações e encaram de frente as mudanças de clima, da torcida e até mesmo do humor do técnico. Sim, estou falando de atletas. Eles sofrem instabilidades com grande freqüência, talvez por isso tenham desenvolvido uma importante competência: a resiliência.
Cada vez mais admirado pelo mercado, o profissional resiliente é aquele que tem a capacidade de ser flexível, controlar as emoções e manter foco e objetivo mesmo em momentos de pressão ou turbulência. Enquanto tudo está sofrendo mudanças e transformações ao redor, ele continua intacto, com o emocional sob controle. "Atleta é um caso excepcional. Todos eles já foram derrotados alguma vez, já passaram por mudanças no meio de uma competição. Mas isso não faz com que percam o foco, com que desanimem. Pelo contrário, tudo isso é utilizado como aprendizado", exemplifica Stefi Maerker, diretora da Sec Talentos Humanos.
SUPERAÇÃO DIÁRIA
Quem não se supera perde espaço, no esporte ou no mercado de trabalho. Em ambos, o mais importante é o resultado. Fazer gols no futebol, pontos no vôlei, o menor tempo na natação e o melhor trabalho na empresa... "Vivemos num mundo onde o valorizado é o que vem para ontem, é o que está pronto na hora e com qualidade. Hoje não adianta só fazer, é preciso fazer bem feito. Não basta ser bom, tem de ser o melhor", observa Stefi.
E para ser o melhor, é preciso se superar a cada dia, o que também não é a mais fácil das tarefas. Mais uma vez, os atletas se apresentam como verdadeiros exemplos de superação e resiliência. Eles quebram recordes atrás de recordes, enfrentam ídolos e conseguem trabalhar muito bem com tudo isso.
O erro que leva muitos empresários bem-sucedidos ao fracasso, depois de anos de sucesso, dificilmente atinge atletas. Grandes empresários perderam impérios por simplesmente estacionarem depois de chegar ao topo. Aí está a grande diferença e o motivo do duradouro sucesso de alguns atletas: eles não se dão por satisfeitos ao serem considerados os melhores do mundo e muitos chegam a bater os próprios recordes. Esta é a grande essência da resiliência: superar os próprios resultados.
VENCENDO OS PRÓPRIOS LIMITES
Diagnosticado com paralisia infantil aos três meses de vida, André Brasil não deixou que uma aparente limitação física fosse um empecilho para realizar o seu grande sonho: representar o Brasil em competições internacionais. "Não é porque eu tenho uma perna menor, não é porque eu manco, que sou diferente de qualquer outra pessoa. Existem pessoas que têm falta de caráter, que têm falta de dinheiro... Então, infelizmente, a minha deficiência é visível, mas talvez nem seja tão infelizmente assim. Talvez eu não teria alcançado tudo que tenho hoje se não fosse por ela. Hoje eu trabalho, eu nado, eu represento o meu País, eu represento uma Nação. E esse era o meu sonho de criança, que eu consegui realizar", conta o nadador.
Classificado para as Paraolímpiadas de Pequim, em setembro, André quer mais uma vez fazer o seu melhor e buscar o melhor desempenho. "Vou estar lá para dar o meu máximo, para dar o meu sangue, minha garra. Se isso se reverter em medalha, vai ser uma grande alegria", afirma André Brasil.
A GRAÇA DA VIDA SÃO OS DESAFIOS
Sem desafios no caminho, não há resultados, não há o que buscar. E é justamente isso que leva essas atletas à vitória. "No tênis, todo dia é um desafio novo, e essa é uma das coisas mais legais. Uma competição dura uma semana e você joga todos os dias. É um novo desafio a cada dia, você não nem tem tempo de comemorar uma vitória. É um jogo difícil atrás do outro e a vitória do dia seguinte tem de ser esquecida assim que você entra na quadra para um novo jogo", conta o ex-tenista Jaime Oncins, participante de duas Olimpíadas (Barcelona-1992 e Sydney-2000).
Willian Douglas, autor do livro Criando Campeões (Editora Thomas Nelson Brasil), que conta com depoimentos do ginasta Diego Hypolito, é um adepto de desafios. Para ele, sem desafios a vida não tem a menor graça. "A pior tragédia que pode acontecer com uma pessoa é não passar por dificuldades, por desafios", diz.
APRENDENDO COM ELES...
E as lições do esporte para o mundo corporativo não são poucas. Aprender a perder, a levantar, a buscar novos resultados, a se superar a cada dia... Para os dois especialistas, as maiores lições são aprender a ganhar num dia e aceitar a derrota no outro e entender que um "não" não significa um "nunca".
"O Diego Hypolito fala que a vida de um campeão é feita mais de derrotas do que de vitórias. As pessoas, em geral, acham que uma reprovação é um problema, uma humilhação, um carimbo de incompetência. Eu acho uma derrota é um laudo pericial fantástico e preciso, que me diz onde eu devo melhorar para a próxima vez. Se alguém consegue ver na derrota um professor, a derrota passa a ser instrumento de sucesso e perde mais da metade do seu poder destrutivo", finaliza Willian Douglas.
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