
Na adolescência pensei em ser dentista, depois aos 15 anos troquei por ser tradutora e logo então, lendo vários artigos, escolhi ser "secretária bilíngue".
Me formei com 17 anos na USC em Bauru. Foi bastante difícil no começo ter uma oportunidade nesta área, mesmo para estágios. Meu jeito ainda de muleca era visível, mas a vontade de ser vista como uma profissional de secretariado era enorme. Com persistência consegui estágios na biblioteca da USP, na CEF e finalmente, numa empresa de grande porte da cidade, lugar em que tudo começou e logo fui efetivada como secretária executiva.
Nesta empresa fiquei por algum tempo, depois resolvi largar tudo e passar um tempo na Espanha, o que foi maravilhoso!! Aprimorei o idioma, conheci pessoas encantadoras e espanhóis sem paciência nenhuma com uma jovem que só tinha o objetivo de aprender. Depois que voltei ao Brasil, A REALIDADE bateu na porta de casa: desempregada!!! Mas fui a luta e consegui recompor minha carreira. Passei por várias dificuldades nesta área, do tipo: preconceito de algumas empresas por eu ser solteira, outras por eu ainda ter 21 anos e pouca experiência, outra me deu a desculpa de que eu era apta para o cargo, mas como era nova demais não despertava confiança e poderia largar aquele emprego a qualquer momento por um bom salário e deixá -los na mão, coisa que eu jamais faria! Neste tempo em que passei por dificuldades estava em São Paulo. Fiz minha mala e fiquei por lá procurando emprego, ônibus pra cá, metrô de lá, foi uma experiência inesquecível, pois aprendi a lidar com meus medos e encarar a vida de frente.
Hoje, com 31 anos e com planos reais de construir minha família, sou secretária de presidência em uma multinacional japonesa em Bauru. Sempre pensei em ser uma executiva de alto nível, em grandes centros como São Paulo, mas não tive êxito, principalmente porque não me adaptei a capital. Mas tenho certeza de que a vida nos mostra várias caminhos e , para rimar o lado profissional com o pessoal, temos que deixar de lado um desejo . Assim, escolhi ser feliz na minha vida pessoal, ter meu marido e filhos . Uma carreira bem sucedida mas sem o alicerce familiar , não dura, deixa a vida amarga e não há dinheiro que pague.
Sou respeitada pelos meus diretores e colegas da empresa e estou sempre em busca de novos conhecimentos em áreas que tenho interesse. Nunca pensei em mudar de profissão, tenho certeza que nasci pra isso.
Camila Della Coletta Martins
Secretária Bilìngue
Bauru/SP
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